A manhã deste último domingo (12) foi de muito entusiasmo na Avenida Venâncio Flores, que recebeu mais uma edição do Desfile Cívico Cultural de Aracruz. O evento, que foi mais uma das celebrações dos 178 anos de emancipação política do município, contou com a participação de diversos grupos culturais, além de projetos sociais e instituições de segurança, como o Exército Brasileiro, as Polícias Militar, Civil e Penal, e o Corpo de Bombeiros.
Com tempo nublado e clima ameno, as famílias compareceram em peso para prestigiar a vasta gama de apresentações, além, é claro, das centenas de estudantes da Rede Municipal de Ensino que desfilaram com todo seu encanto, ajudando a contar a rica história e a diversificada cultura de Aracruz. Ao todo, 18 escolas participaram, com os alunos devidamente fantasiados, desfilando com temas diversos, como a terra, as mulheres ancestrais, os manguezais e o Rio Piraquê-Açu, por exemplo.
“Participar do desfile cívico em comemoração ao aniversário de Aracruz foi uma experiência marcante, construída com dedicação, união e muito significado. Tendo como tema ‘a pesca’, que representa a essência do nosso povo ribeirinho do Rio Riacho, pensamos em cada detalhe com carinho, o que ajudou a valorizar nossa cultura, nossas raízes e a realidade dos nossos alunos, que foram protagonistas nesse processo, colocando a mão na massa na confecção de peixes, barcos e cartazes. Também tivemos a participação especial de um pai, que contribuiu na produção dos peixes em isopor e dos barcos de papelão, tornando tudo ainda mais significativo”, afirmou a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Álvaro Souza, Andréa Moreira da Silva Dias.
Todas as escolas que ajudaram a abrilhantar o desfile tiveram dias de preparação, com muitos ensaios, fortalecendo o espírito de equipe e o sentimento de pertencimento, com todos os esforços se transformando em emoção. Ao entrar na avenida, os estudantes levaram mais do que um tema, mas a identidade, a cultura e a diversidade do município.
“Nossa escola participou de um momento ímpar e muito emocionante, que ficará na história. O evento foi maravilhoso, e penso que ele não pode deixar de acontecer, porque representa nossa cidade por meio dos trabalhos de nossos professores, estudantes e comunidade escolar. A emoção tomou conta da gente, e vimos tudo dar certo. Que venha o próximo desfile para comemorarmos o aniversário desta cidade tão interessante e ímpar, mas tão bela que mexe com as nossas emoções”, disse a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Marcos Rampinelli, Marta Aiolfi dos Santos, que trabalhou com os pontos turísticos de Aracruz.
Com relação à resistência e à identidade do povo originário de Aracruz, a EMEFI Ybyrapytanga, da aldeia Pau-Brasil, por exemplo, mostrou todo o valor do artesanato indígena. “O nosso artesanato vai além de um item decorativo ou utilitário; ele é um documento vivo da resistência e da identidade do nosso povo no município de Aracruz. Em uma região que sofreu grandes pressões de aculturação e ocupação industrial, o artesanato funciona como um símbolo de ‘estamos aqui’, ‘ainda resistimos”, lembrou a diretora da escola, Marília Amâncio.
Ainda de acordo com Marília, o artesanato diferencia e valoriza a cultura indígena frente à sociedade não indígena. “Vivenciamos, no dia a dia, as etapas de confecção dos nossos artesanatos, desde a coleta dos materiais até a sua finalização. Cada artesanato adquirido é um símbolo da nossa resistência cultural e histórica”, completa.