O Brasil comemora nesta sexta-feira (24) o Dia Nacional da Língua de Sinais (Libras), uma data que celebra a oficialização da Libras como um meio legal de comunicação e expressão. Ela foi estabelecida por meio da Lei nº 10.436, de 2002, para destacar a importância da inclusão, da acessibilidade e do respeito à cultura surda, reforçando o uso dessa língua considerada “visual-espacial”.
Como forma de fomentar a valorização da Língua Brasileira de Sinais, várias escolas da Rede Municipal de Ensino em Aracruz promoveram ações para homenagear esse dia tão importante para a educação bilíngue e para a garantia de direitos das pessoas surdas. O Grupo IV da professora Camila, no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Mãe Aurélia, em Vila do Riacho, trabalhou com a apresentação da música “A Baleia”, com as crianças reunidas cantando a letra por meio de sinais. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Zilca Vieira Bermudes, em Vila Nova, foi gravado um vídeo de uma aluna transmitindo, por meio de sinais, a seguinte mensagem: “Olá, hoje comemoramos 24 anos da Lei de Libras, que é a língua utilizada pelas pessoas com deficiência auditiva e surdez e possibilita a interação e o aprendizado. Aprender Libras é aceitar pessoas surdas e respeitar sua cultura e identidade”.
A Libras é considerada uma linguagem visual-espacial, com uma estrutura gramatical própria, baseada em movimentos e expressões faciais. Sua celebração é de grande importância, pois reconhecer a identidade surda é promover a conscientização sobre a necessidade de intérpretes e acessibilidade em todos os setores da sociedade.
De acordo com a técnica pedagógica do setor de Educação Especial e Inclusiva da Semed, Charlene Franco, o fato de as escolas da rede desenvolverem ações em homenagem à data é uma forma de incentivar que todas as crianças e adolescentes tenham ainda mais possibilidades de se comunicar e conhecer essa língua. “Ficamos muito felizes em receber e acompanhar tantas ações em nossa rede em comemoração ao Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais. Essa data representa um marco extremamente importante para a educação das pessoas com deficiência auditiva e surdez, pois reforça o reconhecimento, o respeito e a valorização da Libras como língua. Nossa rede tem crescido não apenas no número de estudantes, mas também no compromisso em promover uma educação mais inclusiva e de qualidade, sempre buscando melhorias e alinhamento com os decretos e leis vigentes”, disse.
Ainda de acordo com Charlene, em breve haverá a aprovação do cargo de professor instrutor de Libras. “Essa conquista representa um avanço significativo, pois acreditamos que, com esse profissional, nossos estudantes estarão cada vez mais próximos de uma educação bilíngue efetiva, garantindo não só o acesso, mas também a permanência e o sucesso no processo educacional”, completou.
Na Emef Caieiras Velha, foi realizado um trabalho especial com a colaboração de diversos profissionais da educação especial, além de bibliotecários, professores e alunos. Durante a atividade, a professora de Deficiência Auditiva (DA), Jocimara, e o aluno Victor explicaram a história da Libras, como ela chegou ao Brasil e a trajetória de luta da comunidade surda pelo reconhecimento de seus direitos. “Com o apoio do professor Gilmar, utilizamos a TV para exibir músicas com sinais. Em um primeiro momento, essas músicas foram apresentadas com áudio e, depois, o som foi retirado para que os alunos pudessem perceber a importância dos sinais na comunicação. Para encerrar o evento, todos os alunos participaram da confecção de um cartaz utilizando as mãos, simbolizando a união e o aprendizado do dia. O esforço conjunto resultou em uma experiência muito positiva para todos os envolvidos”, afirmou.
A professora Jocimara também lembrou que participou da abertura da Festa da Resistência Indígena, quando pôde trabalhar Libras com os estudantes indígenas, em um momento maravilhoso e de muito aprendizado. “O destaque foi a riqueza da comunicação, com falas em tupi, traduzidas para o português e sinalizadas em Libras pelo aluno Victor. Posso afirmar que foi uma experiência única ver a língua indígena e a língua de sinais juntas, garantindo a acessibilidade de todos. Agradeço por fazer parte desse momento tão rico nas aldeias, que fortalece a cultura e a educação inclusiva”, destacou.