A não preservação da restinga facilita avanço do mar
Por Luã Quintão | Edição: Renato Lana
A vegetação costeira tem a função de amortecer o impacto da maré durante tempestades e outros eventos climáticos. Em locais onde a restinga é pisoteada ou suprimida, a possibilidade de que o mar avance é muito maior do que em pontos onde a vegetação está saudável.
Há duas semanas foi registrado um nível mais alto da maré. O fenômeno, um tanto quanto atípico, junto à frente fria, provocou o empilhamento na zona costeira, que foi atingida por fortes ondas. O mar chegou a invadir ruas, principalmente em pontos onde a restinga está devastada.
Na Praia do Sauê, por exemplo, a maré alta impactou principalmente um trecho onde ocorreu a supressão irregular da vegetação. A água do mar avançou até a rua. É exatamente neste local que a Secretaria de Meio Ambiente de Aracruz (Semam) priorizou o trabalho de proteção e plantio da restinga, realizado na manhã desta sexta-feira (13), com ajuda de moradores.
“Na última ressaca o mar entrou por esse trecho onde a restinga foi devastada no passado, então é justamente nesse ponto que a gente priorizou os esforços”, contou o biólogo da Semam, Fabrício Rosa.
O comerciante Alexandre Coelho, de 39 anos, fez questão de ajudar nos trabalhos, e com apoio de outras pessoas já produziu cerca de cem mudas de salsa da praia, uma espécie nativa que ajudará na regeneração costeira. “Fizemos também um campinho de areia para a comunidade, no local que era depósito de lixo, em frente à restinga. Quando não tem cercamento, a restinga vira estacionamento de carro, o que devasta a vegetação. Aqui é um local de preservação, já vimos lobo guará, guaxinim, além de ser um santuário de guaiamuns, animal que corre risco de extinção”, disse ele, ressaltando a importância de proteger a vegetação.
Algo semelhante aconteceu na Praia da Biologia durante a última ressaca, quando trechos onde a restinga estava mais debilitada sofreu impactos severos. Gabriel Ruschi, ambientalista e mentor da Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi (Ebmar), acionou a Semam para relatar a situação e recebeu insumos para realizar o cercamento de proteção. Voluntários da Ebmar e da Associação de Moradores da Praia da Biologia fizeram todo trabalho e ainda replantaram o local utilizando bromélias, cultivadas na Estação.
“A restinga saudável resiste a isso, ela sofre o impacto, mas se recupera. Porém, uma restinga que não está saudável, que foi muito mexida, pisoteada, ela sente mais, e são nesses locais onde o mar avança com mais força. Normalmente os pontos onde não há restinga consolidada o mar avança mais”, explicou o ambientalista.
De acordo com a Semam, a boa relação entre o poder público e comunidade é fundamental para promover a proteção da natureza. Os trabalhos na Praia do Sauê continuarão nos próximos dias.
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